Paloma Bernardi: "Os professores foram a base da minha Educação"
Formada em Rádio e TV, a atriz Paloma Bernardi mantém um centro cultural em São Paulo com a ajuda da mãe
 
Filha mais velha do empresário Nestor Bernardi e da artista plástica e ex-bailarina Dil Bernardi, Paloma Bernardi, 25 anos, chegou aonde queria: no horário nobre da Rede Globo. Hoje ela interpreta Mia, a herdeira adotiva de José Mayer e Lília Cabral na trama de Manoel Carlos. Mas engana-se quem imagina que os primeiros passos da moça em direção ao sucesso foram dados recentemente.

Aos quatro anos, a paulistana já exibia seu dotes artísticos em comerciais de TV. Porém, seu sonho de ser estrela sempre esteve associado à busca por uma formação completa. "Na escola, fazia todos os cursos oferecidos: coral, dança, vôlei, teatro... Isso foi ótimo para minha carreira, pois o artista precisa ter conhecimentos em diversas áreas", explica a jovem de olhos verdes.

O resultado? Além da formação como atriz e bailarina, um diploma do curso de Rádio e TV, da Universidade Metodista de São Paulo. Mas o comprometimento da bela com a Educação vai além da busca por conhecimento próprio. Paloma também gosta de dividir experiências. Ao lado da mãe, ela mantém um espaço cultural, o Amarte, na zona norte de São Paulo.

"O espaço oferece cursos de dança, artesanato, música, teatro e artes plásticas a preços populares e qualquer um pode frequentar", convida a estrela, que completa: "Cultura faz bem para a alma". Em entrevista ao Educar para Crescer, Paloma ainda fala de suas recordações dos tempos de escola, da participação dos pais em sua formação e conta o que pensa sobre a Educação no Brasil.

Em quais escolas você estudou e qual a sua formação?
Paloma Bernardi: Fiz o maternal/pré-escola no Lar Francisco de Assis, na zona norte de São Paulo. Depois, fui para o Colégio Salesiano, onde fiquei até o colegial. Passava mais tempo lá do que na minha casa. Fazia coral, dança, teatro, artes plásticas... era a garota que fazia tudo na escola. Também participei do grupo de jovens e ajudava na pastoral em campanhas de caridade. Foi no Teatro Dom Bosco, na zona norte, que estreei no palco. Depois do colegial, fui para a Metodista, em São Bernardo, fazer Rádio e TV. Lá, realizei vários projetos independentes, como curtas e clipes. Como era a atriz da turma, atuava nos vídeos dos amigos, foi uma fase bem legal. Ai, que saudade!

Quais são as melhores recordações da sua época de escola?
Paloma Bernardi: Acho que os amigos. Tudo foi tão marcante.... Faço questão de participar dos encontros de turmas dos colégios e da faculdade, mas este ano não conseguirei ir. Nas escolas, havia as apresentações para os pais, festas juninas, teatrinhos, feiras... Adorava ajudar nos preparativos e isso incentivava o meu lado criativo.

Você era uma boa aluna?
Paloma Bernardi: Sim! Estudava até as matérias de que não gostava, como física e química. Gostava mais de português, história e geografia. Quando tinha prova, parava tudo para estudar: me trancava no quarto, começava a escrever na lousa, fazia um resumo das matérias e falava em voz alta, dando aulas para os meus bonequinhos. Era uma atuação, como se fosse professora dos alunos/bonecos. Dava certo. Sempre tive notas boas.

Como seus pais participavam da sua Educação?
Paloma Bernardi: Meu pai é inteligentíssimo. Ele me ajudava em todos os problemas de matemática e física. Meu tio (Jadson Baracho) e minha mãe me ajudavam a fazer maquetes e trabalhos artísticos. Meu tio chegou a fazer a Catedral da Sé em isopor. Em geral, minha família sempre foi muito presente, eles compareciam às atividades escolares, aos bailes...

Como era sua relação com os professores?
Paloma Bernardi: Era das melhores! Os professores foram a base da minha Educação. Gostava muito deles, sempre foram compreensivos comigo. Como trabalhava em publicidade desde os quatro anos de idade, precisava me ausentar, viajar, e eles me ajudavam a não perder o ano. Hoje não temos muito contato. Porém, por causa da novela, muitos surgiram na internet, dizendo que sabiam que minha carreira ia resultar nisso. Minhas primas estudam na escola onde me formei. Quando ia buscá-las, fazia questão de falar com todo mundo: faxineiras, porteiros, auxliares, professores...

Qual foi a importância dos estudos para sua formação profissional?
Paloma Bernardi: Estudar atiçou minha curiosidade em relação à teoria, extremamente importante para quem quer ser atriz ou bailarina. Além disso, despertou a vontade de ler livros específicos, que me ajudam a aperfeiçoar minha atual carreira.

Além das matérias tradicionais, que outras disciplinas poderiam fazer parte do currículo escolar?
Paloma Bernardi: Disciplinas específicas sobre cultura, pensadas para formar a pessoa de forma total, não apenas para passar de ano ou se inserir no mercado de trabalho. Algumas escolas já oferecem artesanato, dança, teatro... Isso é ótimo!
Além de freqüentar as aulas da escola, você fazia cursos extracurriculares?
Paloma Bernardi: Sim! Sempre fazia tudo o que era oferecido: coral, dança, vôlei, teatro... Para mim, isso tudo foi ótimo como atriz, pois o artista precisa ter conhecimentos em diversas áreas.

Algum livro marcou a sua vida?
Paloma Bernardi: Não existe um específico. Li muitos livros do Nelson Rodrigues (Vestido de Noiva, Álbum de Família...), mas sempre releio e amo os três livros do Stanislavski essenciais para a preparação do ator: A Preparação do Ator, A Construção da Personagem e A Criação de um Papel.

O que uma escola deve oferecer para ser considerada boa?
Paloma Bernardi: O casamento das disciplinas tradicionais com a cultura. Além disso, a escola precisa ter um ambiente familiar, para deixar alunos e pais à vontade, uma vez que é a segunda casa do estudante. Não adianta a escola ser cara ou de elite se o aluno não se sente bem no ambiente. Ele não pode ser discriminado, se sentir sozinho... Se a escola for rígida demais, o aluno não conseguirá se expressar.
O que é o Amarte? Quem pode frequentar e quais são as atividades oferecidas?
Paloma Bernardi: É o primeiro centro de cultura da zona norte de São Paulo e fica na Avenida Nova Cantareira, 961, no Tucuruvi. O espaço reúne diversas modalidades nas áreas de dança, artesanato, música, teatro e artes plásticas a preços populares. Qualquer um pode frequentar o Amarte, não há discriminação de idade. Tem aulas para crianças, adolescentes, adultos e idosos, pois acreditamos que cultura faz bem para a alma.

Como é seu envolvimento com o centro cultural?
Paloma Bernardi: Estou envolvida em tudo! Apenas não dou aula, pois entendo que, para isso, não basta conhecer o ofício, é preciso ter a metodologia necessária. Sempre que podia, conversava com os alunos e auxiliava os professores, mas em relação a dar aula, prefiro passar para alguém que tenha esse talento.

Como vê a Educação no Brasil?
Paloma Bernardi: Falta investimento e salários mais dignos para os profissionais, que não são bem remunerados e, ao mesmo tempo, precisam ser motivados para fazer o que gostam. Quem decide ser professor escolhe a profissão porque gosta de ensinar. Porém, o ensino não é valorizado. Os que continuam na profissão precisam dar aulas para várias turmas ao mesmo tempo, pulverizando sua atenção e concentração.
O que considera como um mau exemplo na Educação?
Paloma Bernardi: A forma rígida de ensinar. Instituições assim não ensinam, apenas repassam o conteúdo. Essa forma de educar ainda está presente em algumas escolas.
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